Trens, feriadões prolongados e o complexo de Macunaíma

Crônicas de Francisco Souto Neto para o Jornal Centro Cívico

Jornal Centro Cívico – Ano 13 – Edição 115 – Maio de 2014

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Trens, feriadões prolongados e o complexo de Macunaíma

Francisco Souto Neto

No segundo semestre de 2002, nas entrevistas pela televisão dos candidatos à presidência da República, ouvi Lula mencionar algo que eu jamais tinha escutado dos seus oponentes, e que ficou registrado na minha memória. Ele que retornara havia alguns dias do Velho Continente, disse e concluiu interrogativo: “Lá na Europa todo mundo viaja de trem, que é um transporte rápido e seguro. Por que aqui no Brasil também não é assim?”. O governo FHC tinha sido bastante traumático pela onda de privatizações muitas vezes desastrosas e estava envolto em corrupção. No primeiro momento, pareceu a muitos que Lula poderia ser a hora da renovação, uma nova brisa no sentido da ética na política e no comércio de transportes. Cheguei a imaginar que seriam construídas modernas estradas de ferro e que as capitais dos Estados da Federação seriam ligadas por linhas férreas, o que representaria viagens agradáveis e, principalmente, promoveriam o transporte de mercadorias com maior rapidez, estimulando a produtividade e a economia brasileira. Mas imperou o complexo de Macunaíma. Tudo não se passou de ilusão e antes do final do seu primeiro mandato, o que presenciei foi o presidente preocupar-se principalmente em varrer para debaixo do tapete as acusações de corrupção contra os seus correligionários que estavam em postos relevantes do governo. Ética? Trens? Estradas de ferro? Morreram na modorra brasileira. E os políticos, salvo raras e honrosas exceções, continuaram mostrando-se mais interessados em manter seus bolsos bem recheados em vez de tratar dos assuntos que representem os interesses da coletividade, e disso Maluf é um exemplo gritante.

Mas há outro lado igualmente perverso do “complexo de Macunaíma”, que é praticado descaradamente sob nossos olhos, não pelos políticos, mas por cidadãos comuns. Macunaíma, para quem não sabe, é um romance escrito em 1928 por Mário de Andrade e representa o indolente povo brasileiro. O personagem-título é um anti-herói sem caráter, caracterizado pela frase que pronuncia a toda hora: “ai, que preguiça!”. É aos “feriadões prolongados” que estou agora a me referir. Eu não gostaria de ter passado aos colegas dos tempos anteriores à minha aposentadoria a falsa impressão de eu ter sido um “caxias” – sem desrespeitar um Lima e Silva de quem descendo – porque, afinal, nunca fui um fanático pelo trabalho, embora sempre tenha cumprido o meu dever com honestidade, assiduidade e retidão, e disto me orgulho. A verdade é que durante as décadas em que trabalhei no Banestado, faltei ao serviço uma única vez: quando tive pneumonia na década de 60. Jamais emendei um feriado de quinta-feira com o sábado e nunca faltei numa segunda-feira anterior a um feriado.

Em Curitiba um dos termômetros para se aferir o complexo de Macunaíma é, para mim, o Tribunal de Justiça, na Rua Mauá. Diga-se de passagem que quando caminho por ali em dias úteis, o movimento na calçada é enorme, e a porta, num entra e sai, permanece aberta no horário de expediente. Após o almoço há sempre uma extensa fila para os elevadores, que às vezes me provoca o riso porque, em vez de se desenvolver junto à parede, costuma sair pela porta diretamente em direção à rua, como uma cobra cega e burra, obstruindo a passagem dos transeuntes que se deslocam sob a galeria.

Para me valer de um exemplo recente, tivemos o feriado da Paixão de Cristo na sexta-feira dia 18 de abril, e Tiradentes na segunda-feira dia 21. Quatro dias de lazer, mas aparentemente trabalhou-se só até dia 16, quarta-feira, porque na quinta, 17, véspera da Paixão de Cristo, o silêncio e a falta de movimento imperavam naquele local. Como se não bastasse a expectativa dos quatro dias parados, muitos, ainda insatisfeitos, faltaram ao serviço na véspera do feriado. Na semana seguinte tivemos o 1º de maio, Dia do Trabalho, numa quinta-feira. Na sexta-feira, dia útil, 2 de maio, a porta do Tribunal estava fechada: parece que ninguém trabalhava. E nas semanas sem feriados, não há burburinho às sextas-feiras. Que lassidão é essa? É o complexo de Macunaíma!

Os brasileiros mostram-se irritados com a falta de retidão dos políticos, mas se esquecem de pôr ordem às suas próprias casas. O que impera é a preguiça de trabalhar entre os que não compreendem, ou não querem compreender o real sentido do dever e da produtividade.

(Francisco Souto Neto – Maio de 2014)

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Quem ainda não recebeu aquele texto cabotino que se propõe a dar uma “belíssima aula” sobre a palavra “presidenta”?

Crônicas de Francisco Souto Neto para o Jornal Centro Cívico

Jornal Centro Cívico – Ano 13 – Edição 114 – Abril de 2014

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Quem ainda não recebeu aquele texto cabotino que se propõe a dar uma “belíssima aula” sobre a palavra “presidenta”?

Francisco Souto Neto

     Tenho seguidamente recebido por e-mail, e também vejo nas redes sociais, uma mensagem que se propõe a corrigir o termo “presidenta”, mensagem esta que classifico como cretina e sabotadora, cujas palavras iniciais, com erros de concordância e outros vícios de linguagem, dizem, ipsis literis“Uma belíssima aula de português! Foi elaborado para acabar de vez com toda e qualquer dúvida se tem [sic] presidente ou presidenta. A presidenta foi estudanta? Existe a palavra presidenta? Que tal colocar um ‘basta’ no assunto?”. Adiante, a mensagem tenta ironizar: “A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta…”. A tal “belíssima aula” está supostamente assinada por Miriam Rita Moro Mine, professora de Engenharia na UFPR.

     Antes de tudo, é preciso lembrar que o vocábulo presidenta está dicionarizado há muitas décadas, e palavra dicionarizada é palavra correta. [O grande Machado de Assis a usou pela primeira vez em 1880, ao publicar o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas]. Eu já usava “presidenta”em textos que publiquei nos distantes anos 70, e é pífia qualquer discussão sobre a sua existência. Tanto “presidente” quanto “presidenta” são corretas e podem ser usadas no gênero feminino, a depender da vontade de quem escreve ou fala. Por tais motivos, resolvi contatar a professora Miriam, para dialogar sobre o seu equívoco. Buscando um meio de encontrá-la através da internet, descobri a seguinte declaração divulgada pela própria professora:

     “Nunca escrevi absolutamente nada sobre a existência ou não da palavra ‘presidenta’. Meu nome está sendo usado indevidamente como autora de um texto que circula na internet e na imprensa. Sou professora da Universidade Federal do Paraná – UFPR, Departamento de Hidráulica e Saneamento, graduada em ‘Engenharia Civil’ e com pós-graduação em cursos de ‘Engenharia’ (Mestrado e Doutorado) e professora de cursos de ‘Engenharia’ na UFPR (ver meu Curriculum Lattes – www.cnpq.br – plataforma lattes). Eu jamais escreveria um texto que não fosse da minha área de atuação. Miriam Rita Moro Mine. Universidade Federal do Paraná. Departamento de Hidráulica e Saneamento. Caixa postal 19011. 81531-990 Curitiba, PR”.

     Ou seja, o verdadeiro autor da “aula” desapareceu e alguém, de maneira ladina e criminosa, pôs o nome da referida professora no texto apócrifo, como se fosse ela a sua autora. Por isso, antes de as pessoas divulgarem pela internet, deveriam comprovar as fontes dessas notícias, para saber se são verdades ou mentiras com o objetivo de enganar e confundir a opinião pública. Se a professora Miriam for à polícia e registrar queixa, é provável que chegará ao autor do crime, e assim poderá processá-lo. A tal “belíssima aula” é um fake com o propósito de disseminar falsidades e confusões sobre o idioma pátrio, e principalmente desqualificar a presidenta Dilma Rousseff.

     Ao buscar na web um contato com a professora Miriam, encontrei casualmente um texto inteligentíssimo sobre o assunto, da autoria de Igor Santos, no seguinte endereço:

http://scienceblogs.com.br/uoleo/2013/02/miriam-rita-moro-mine-presidenta-da-republica-vinte-dois-segundos-google/

     O texto de Igor Santos é necessariamente longo, com introdução igualmente extensa, mas deve ser lido na íntegra. Sobre o assunto em discussão, não há outra aula melhor, nem mais contundente e precisa. O autor escreveu visivelmente irritado, e acrescento: benfazeja a sua irritação! Está na medida exata em que eu, também aborrecido com aqueles que parecem acreditar que a palavra “presidenta” foi inventada por Dilma Rousseff, venho sugerir que não veiculem besteiras pela web sem antes checar as fontes. Querem outro exemplo de “nonsense”? Ei-lo: já recebi no Facebook, de seis diferentes e indignados amigos, a notícia que tem por título “Dilma zomba do fim dos protestos no Brasil”. Ao transcrever esse título no Google, busquei a fonte da “notícia” e encontrei-a no blog denominado “Arrota1” que, após as opiniões dos leitores, se defende ao pé da página, para evitar processos contra si, declarando: “Fique atento – O Arrota1 é um portal de humor. Publicamos sátiras e notícias humorísticas fantasiosas, fictícias, que não devem ser levadas a sério”.

     Por favor! Comprovem a veracidade antes de compartilhar notícias falsas. Há maneiras bem mais produtivas de colaborar na construção de um Brasil melhor. 

(Francisco Souto Neto – Agosto de 2013)

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ATENÇÃO! POR FAVOR, LEIA!!!

OBSERVAÇÃO ACRESCENTADA EM 18.9.2016:

Na semana passada, um amigo me mostrou um artigo que encontrou na internet sobre a palavra presidenta, tão interessante principalmente em seus últimos parágrafos, que além de dar, logo abaixo, o seu link, faço questão de também transcrevê-lo na íntegra, porque é melhor do que os textos que eu já escrevi sobre o mesmo assunto.

Quem costuma ter respeito pela Língua Portuguesa encontrará aqui um precioso aliado, e aqueles que não são muito amigos do vernáculo e que pensam que presidenta é invenção de Dilma Rousseff ou do PT, terão a oportunidade de aprender ao menos um pouquinho sobre o nosso tão maltratado idioma pátrio.

O link, elaborado por DICIONARIOEGRAMATICA.COM, de 2 de maio de 2016, é este…

https://dicionarioegramatica.com.br/2016/05/02/presidenta-e-mais-antigo-e-tradicional-em-portugues-do-que-a-presidente/

…e esta é a sua transcrição na íntegra:

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“PRESIDENTA” É MAIS ANTIGO E TRADICIONAL EM PORTUGUÊS DO QUE “A PRESIDENTE”

Postado em gênero de palavrashistória da língua portuguesapalavras que faltam nos dicionários, palavras usadas errado por dicionarioegramatica

A palavra “presidenta” é feminino correto para “presidente”, aceito por todas as gramáticas e presente em dicionários portugueses há séculos. Hoje, “a presidente” é considerada igualmente correto, mas a verdade é que “a presidenta” é forma muito mais antiga e tradicional na língua portuguesa do que “a presidente”.

A palavra presidenta está hoje em todas as gramáticas e dicionários portugueses e brasileiros. Gramáticos contemporâneos, como o professor Pasquale (vejam aqui) concordam: “pode-se dizer a presidente ou a presidenta”.

As gramáticas portuguesas e brasileiras tradicionais – como a Nova Gramática do Português Contemporâneo, do brasileiro Celso Cunha e do português Lindley Cintra, ou a Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara – também concordam: “Quanto aos substantivos terminados em -e, uns há que ficam invariáveis (amante, cliente, doente, inocente), outros formam o feminino com a terminação em “a”: alfaiata, infanta, giganta, governanta, parenta, presidenta, mestra, monja. Observação: “governante”, “parente” e “presidente” também podem ser usados invariáveis no feminino.”

Presidenta” está no Dicionário Aurélio desde a sua primeira edição, em 1975 (ver aqui); está no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras desde a sua primeira edição, em 1932; no Dicionário da Academia Brasileira de Letras; e estava já no primeiroVocabulário Ortográfico sancionado pela Academia de Lisboa, de Portugal, em 1912 (o vocabulário integral pode ser acessado aqui).

Presidenta já aparecia também em textos de nossos melhores escritores dois séculos atrás: Machado de Assis, por exemplo, usa “presidenta” em Memórias Póstumas de Brás Cubas, sua obra-prima, publicada em 1881 e disponível gratuitamente aqui.

Anos antes, em 1878, o português O Universo Ilustrado narrava o enterro fictício de uma “presidenta”; em 1851, a Revista Popular de Lisboa  também se referia à “presidenta” de uma reunião.

Ainda em Portugal, podemos encontrar presidenta no primeiro vocabulário oficial da língua portuguesa, elaborado em 1912 por Gonçalves Viana (disponível aqui) .

“Presidenta” está também no vocabulário do português Rebelo Gonçalves (1966), e, desde um século antes, no Dicionário de Português-Alemão de Michaëlis (1876), no de Cândido de Figueiredo (1899), no Dicionário Universal / Texto Editores (1995), na primeira edição do Dicionário Lello (1952) e na primeira edição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (também de 1952).

Na verdade, ainda antes disso – no ano de 1812 (antes ainda, portanto, da independência do Brasil de Portugal), a palavra “presidenta” já aparece dicionarizada: está no Dicionário de Português-Francês de Domingos Borges de Barros, que viria a ser diplomata e senador. Versão digitalizada do dicionário, de 1812, pode ser acessada aqui.

Por falar em outras línguas: não apenas no francês, mas também nas línguas irmãs do português, o galego e o espanhol,  presidenta é considerado o feminino mais gramaticalmente correto de “presidente”.

A palavra “presidenta” nada tem a ver, portanto, com Dilma Rousseff ou com o PT, e quem se recusa a usar a palavra por achar que é uma invenção recente de petistas está apenas atestando ignorância em relação à língua portuguesa.

Isso porque a forma “a presidenta” é, na verdade, mais antiga e mais tradicional na língua portuguesa que “a presidente”.

Como se pode ver em todos os dicionários e vocabulários oficiais anteriores a 1940 (por exemplo: aquiaquiaquiaquiaquiaqui), até a metade do século passado a palavra “presidente” era considerada substantivo exclusivamente masculino, e “presidenta” era o único feminino aceito para “presidente”.

Em outras palavras: apenas a partir de 1940 a forma “a presidente” passou a ser aceita por gramáticos e dicionaristas portugueses e brasileiros. Ou seja: a palavra “presidenta”, dicionarizada desde 1812, é mais antiga e tradicional em português que a forma neutra “a presidente”, apenas dicionarizada a partir de 1940.

A passagem, no século passado, de presidente” como forma exclusivamente masculina para forma neutra baseou-se no mesmo processo de “neutralização de gênero” pelo qual passaram, e vêm até hoje passando, vários outros substantivos portugueses – como “a parente”, que antes só se dizia “parenta” -, sobretudo profissões – como “a oficial” (que antes só se dizia “oficiala”), “a cônsul” (que antes só se dizia “consulesa”) ou “a poeta” (que antes só se dizia “poetisa”).

A Revista Veja, por exemplo, deixou de usar a palavra “presidenta” apenas quando Dilma Rousseff chegou ao poder e disse que gostaria de ser chamada assim. Até então, porém, a mesma Veja usava “presidenta” – vide exemplos de edições da década de 1970 (ao se referir à então presidenta deposta da Argentina), de 1980, de 1990 e mesmo 2000.

Do mesmo modo, anos antes de o PT chegar ao poder, os demais órgãos de imprensa usavam “presidenta” – como a Folha de S.Paulo – por exemplo, em 1996 (“Secretária de Turismo de Alagoas e presidenta da Fundação”), 1997 (“Segundo a presidenta da CPI, deputada Ideli Salvatti”), 2003: (“A presidenta da CDU e líder da bancada parlamentar, Angela Merkel, já deixou claro que seu partido não se dispõe a salvar a situação para o governo de Berlim.”), etc.;  O Estadão (em 2004: “Empresária de Shakira era presidenta da  companhia”; em 2008: “disse a presidenta da Plataforma, Maribel Palácios”, etc.), o Correio Braziliense, etc.

Em resumo: hoje, é indiferente o uso de “a presidenta” ou “a presidente” – ambas as formas são gramaticalmente corretas e equivalentes.

Mas, ao contrário do que diz o senso comum e do que supõem muitos em sua ignorância, “a presidenta” não é informal, não é uma invenção recente nem é “coisa de feministas” ou “de esquerdistas” (pelo contrário, é a forma mais antiga e tradicional em língua portuguesa).

Um bom exemplo de sensatez, por exemplo, vem do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSDB – um dos principais opositores de Dilma Rousseff, que, no entanto, nunca deixou de falar “presidenta”, por saber que essa forma é antiga, tradicional e perfeitamente correta em português.

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OBSERVAÇÃO:

A mesma crônica acima, foi originalmente publicada no Jornal Centro Cívico Edição 107 de Agosto de 2013 e agora republicada no mesmo jornal Edição 114 de Abril de 2014. 

Foi também publicada na Gazeta de Santa Cândida, Curitiba, de Agosto de 2013, nº 143.

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A crise financeira do Governo Beto Richa

Crônicas de Francisco Souto Neto para o Jornal Centro Cívico

Jornal Centro Cívico – Ano 13 – Edição 113 – Março de 2014

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A crise financeira do Governo Beto Richa

Francisco Souto Neto

No fim do ano passado, equipes da RPC TV noticiaram suas visitas a doze cidades do Paraná para verificar denúncias concernentes às oficinas que prestam serviço ao Governo do Estado, onde encontraram centenas de veículos parados à espera de conserto, maioria pertencente à Polícia Militar, mas também caminhões de bombeiros e até mesmo ambulâncias. Em uma única oficina de Ponta Grossa foram constatadas quase 100 viaturas da Polícia Militar, da Polícia Ambiental e veículos de outros órgãos governamentais, todos parados à espera de conserto. Ali os serviços estavam interrompidos porque o Governo do Paraná tinha dívidas atrasadas há mais de dois meses.

Em Cornélio Procópio a situação era pior: o governo não pagava suas dívidas há mais de três meses pelos serviços já efetuados, e as oficinas, obviamente, recusavam-se a fazer novos consertos enquanto não recebessem o que lhes era devido.

É inaceitável, é escandaloso que o Governo do Paraná não possa pagar o conserto de viaturas policiais, ambulâncias e caminhões dos bombeiros. Inquirido pelos repórteres, Beto Richa dá respostas incompletas, enquanto seus olhos não se fixam no jornalista, mas ficam inquietos, movendo-se para todos os lados, passando ao telespectador uma sensação desagradável. Respostas evasivas ouvimos também pela mesma RPC TV, em 26 de fevereiro, quando a repórter Andressa, em frente ao Palácio Iguaçu, entrevistou o diretor-geral da Secretaria de Educação, Jorge Wekerl, sobre a falta de funcionários em escolas e o atraso do pagamento das merendas. A repórter fez a pergunta sobre o assunto por duas vezes, e o entrevistado “desconversou”. Do estúdio, interveio a ótima apresentadora do programa, Thays Beleze, que procurou disfarçar a irritação enquanto exclamava: “Na verdade, Andressa, a gente vê aí algumas contradições: o diretor diz que está tudo certo, que não há problemas, que há orçamento para merendas, para funcionários… e então pergunto, diretor, onde está o problema?! As escolas nos mostram que não têm funcionários e falta merenda. Onde está o problema?!”. Mais uma vez o entrevistado “desconversou” e derivou para outros assuntos. A repórter Andressa agradeceu educadamente, mas também enfatizou a insatisfação que era dela e dos telespectadores ante as evasivas do entrevistado: “Vamos continuar acompanhando este caso de falta de merenda, de funcionários e de material didático nas escolas estaduais do Paraná”.

No dia 6 deste corrente mês de março, o programa Paraná TV continuou mostrando que os problemas da falta de pagamento não são “pontuais” (isto é, casos isolados), como afirma o governo. Em Sítio Cercado, o bairro mais populoso de Curitiba, os moradores realizam uma rifa para ajudar a consertar viaturas da Polícia Militar. Pior ocorre em Palmeira, cidade próxima a Ponta Grossa, onde um mecânico decidiu efetuar os reparos gratuitamente na única viatura que ali existe para atender a 33 mil moradores. O conserto da embreagem do veículo custaria cerca de 1.300 reais, mas o governo não assegurava o pagamento.

Enquanto os carros da polícia se amontoam quebrados, o comércio e as residências ficam à mercê dos bandidos. Enquanto pessoas doentes morrem à espera de socorro, as ambulâncias estão paradas nas oficinas sem que o governo lhes pague o que deve. Isso é inadmissível, é até imoral. O governo continua negando que esteja em dificuldades financeiras, mas as imagens que o contradizem estão todas na internet, à disposição de quem quiser comprovar. Que decepção! Faz-me lembrar de quando foi eleito o primeiro governo pelo voto popular, após os obscuros anos da ditadura militar. Era o Governo José Richa, empossado em março de 1983. Eu era assessor de diretoria no Banestado – Banco do Estado do Paraná – e acompanhei de perto todos os passos dos novos diretores e seus contatos com os vários segmentos do governo no sentido de promover a moralização, a ética e o desenvolvimento. Um tempo grandioso de construção, de crescimento. Filho de José Richa, o atual governador Beto Richa era um garoto de 17 anos. Desde então passaram-se 30 anos. E agora? Agora o Paraná vai em marcha lenta, quase parando. Com o Estado à beira do abismo, qual será o legado de Beto Richa à História do Paraná?

(Francisco Souto Neto – Curitiba, março de 2014)

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Onde foi parar o acervo do Museu Banestado?

Crônicas de Francisco Souto Neto para o Jornal Centro Cívico

Jornal Centro Cívico – Ano 12 – Edição 112 – Fevereiro de 2014.

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Onde foi parar o acervo do Museu Banestado?

Francisco Souto Neto

Seguidamente tenho ouvido uma pergunta formulada por amigos artistas plásticos, jornalistas e intelectuais: “O que é feito do acervo de arte do Banestado? E do acervo histórico do Museu Banestado?”.

O Museu Banestado iniciou a formação do acervo em 1986 com oito telas de Theodoro De Bona, retratando os primeiros presidentes do Banestado. Idealizador daquele estabelecimento e presidente do Comitê de Implantação do Museu Banestado, com maciço apoio da imprensa iniciei grande campanha em todos os Estados onde o banco mantinha agências, mais o Distrito Federal, para sensibilizar funcionários e clientes a doarem objetos que ajudassem a dar sentido ao um museu que representaria a memória bancária e financeira do Paraná. A primeira doação foi feita pela minha mãe, que entregou ao museu a sua preciosa coleção completa de cédulas de mil-réis e de cruzeiros, e duas máquinas datilográficas históricas, de modo a estimular a campanha. O meu compromisso, divulgado pela imprensa, era de que os nomes dos doadores ficariam para sempre ao lado do objeto doado. E assim, dezenas de colegas e clientes ofereceram ao Museu Banestado objetos que guardavam com carinho em suas casas, alguns muito valiosos, outros singelos, mas todos revestidos de algum sentido histórico. A inauguração do museu reuniu a intelectualidade paranaense, funcionários do banco, políticos, historiadores e figuras representativas da sociedade.

No ano 2000 o Banco do Estado do Paraná foi levado à falência pelos homens de confiança de Jaime Lerner. Esse governador esmagou o banco dos paranaenses e depois entregou o bagaço – em leilão e por preço vil – ao Banco Itaú.

Tentei salvar da catástrofe o acervo do Museu, primeiro sugerindo aos diretores do Banco Itaú que o devolvessem aos doadores, no que não fui atendido, mas afirmou-me aquela diretoria que concordaria em doar o acervo a alguma instituição que desejasse mantê-lo. Procurei imediatamente a AFAB – Associação dos Funcionários Aposentados do Banestado, e o FUNBEP. Ambos, porém, não tinham espaço físico para abrigar o acervo. Resolvi então pedir socorro aos museus de Curitiba, com cujas administrações eu tivera estreita relação, pelo fato de ter sido conselheiro do Sistema Estadual de Museus (da Secretaria de Estado da Cultura), conselheiro do Museu de Arte do Paraná e diretor da Sociedade de Amigos do Museu de Arte Contemporânea, Museu Paranaense e Museu da Imagem e do Som. Para minha decepção, até mesmo o Museu Paranaense recusou o oferecimento porque estava prestes a deixar o espaço físico do prédio que é hoje o Paço da Liberdade, e seu futuro endereço era ainda incerto. Enfim, todos os meus esforços resultaram infrutíferos.

Cedendo a pressões, o Itaú entregou o acervo do banco e do museu ao governo do Paraná, e eu fui gentilmente convidado para a cerimônia de doação por Cristiane Magalhães Brant (então diretora de Marketing e de Cultura do Banco Itaú em São Paulo), que se realizou no Palácio Iguaçu. O governador Jaime Lerner recebeu a doação dos diretores do Itaú, e em seu discurso, se bem me lembro, disse que o acervo seria destinado ao NovoMuseu (exatamente assim, com as duas palavras emendadas, era o nome do atual Museu Oscar Niemeyer). Entretanto supus que a parte do acervo do Museu Banestado com sentido histórico certamente seria destinada ao Museu Paranaense. E os nomes dos doadores… seriam mantidos ao lado do bem doado?

Depois disso, desiludido, nunca mais ouvi falar desse acervo. Que fim teria levado?! No mês passado, na sede da AFAB – atualmente presidida pelo dinâmico Fernando Prezutti – os colegas Newton Barbosa Almada da Silva, Paulino França do Nascimento Neto, Natalino Sbrana, Carlos Zatti e o próprio presidente disseram-me que pretendem tentar resgatar para a instituição que representam, a AFAB, o que for possível daquilo que pertenceu ao Museu Banestado. É uma auspiciosa expectativa, que certamente nos inspirará a alçar voo na tentativa de ajudar a preservar a memória do outrora grandioso banco oficial do Paraná.

O leitor que se interessar pela questão do acervo do Banestado e do Museu Banestado poderá buscar no Google: “Subsídios para a história do Museu Banestado”, “Galeria de ex-presidentes do Banestado” e “O dia em que não apertei a destra do governador”.

(Francisco Souto Neto – Curitiba, Janeiro de 2014)

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Um resumo histórico sobre o Museu Banestado poderá ser encontrado no seguinte link:

http://fsoutoneto.wordpress.com/2013/07/07/expressao-arte-por-francisco-souto-neto-curitiba-12-dez-1997-p-12-galeria-de-todos-os-presidentes-do-banestado/

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O elefante sem identidade: minha história com Lúcia Helena no “The History Channel”

Crônicas de Francisco Souto Neto para o Jornal Centro Cívico

Jornal Centro Cívico – Ano 11 – Edição 111 – Dezembro de 2013.

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O elefante sem identidade:

minha história e de Lúcia Helena no “The History Channel” 

Francisco Souto Neto

Eu e minha prima Lúcia Helena Souto Martini trabalhamos por sete anos na biografia do nosso trisavô Antônio José Alves Souto, o visconde de Souto. Fizemos viagens ao Rio de Janeiro para pesquisarmos na Biblioteca Nacional, IHGB, Cúria Metropolitana, Museu Histórico Nacional, Museu Nacional, IPHAN e outros. Após consultas a mais de 600 livros, escrevemos a biografia que agora está concluída. No momento encontramo-nos na expectativa da sua edição com os recursos da Lei Rouanet, o que está sendo providenciado por Ricardo Trento, da Unicultura de Curitiba.

Trechos do livro foram publicados em forma de artigo na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro sob o título “Visconde de Souto, Fazenda Bela Vista e Capela Mayrink” (R.IHGB, ano 173, nº 455, abr./jun. 2012) e na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro (R. IHGRJ, Ano 18, número 18, 2011), intitulado “A Chácara do Souto e seu Jardim Zoológico”.

A biografia do visconde de Souto também chamou a atenção do programa “Detetives da História”, segmento brasileiro do “The History Channel”. Como o próprio programa se define, é uma série para a televisão que usa mistérios e objetos achados por telespectadores como ponto de partida para um processo de investigação. Apresentada por André Guerreiro Lopes e Renata Imbriani, a série busca desvendar os mistérios escondidos por trás de pequenos tesouros familiares.

O visconde de Souto foi o primeiro banqueiro particular do Brasil, citado por impressionante número de grandes autores nacionais, como Machado de Assis, José de Alencar, Visconde de Mauá, Barão do Rio Branco, Afonso Arinos, Ruy Barbosa e inúmeros outros. Muito rico, formou o primeiro jardim zoológico do país, que era chamado de “ménagerie” ou “coleção de animais vivos”. Importou espécimes de dois continentes, alguns nunca antes vistos no Brasil, tais como ursos, leões e até elefantes. O visconde de Souto não cobrava ingressos ao seu zoológico, que era um dos principais programas dos fluminenses aos domingos. Quando um animal morria, o visconde mandava taxidermizá-lo e o doava ao Museu Nacional. Na nossa visita ao museu, eu e minha prima Lúcia Helena encontramos o registro de alguns animais doados pelo visconde de Souto até 1864. O registro do elefante, porém, perdeu-se, e o animal taxidermizado está sem a identificação do seu doador. Esse elefante foi o tema do episódio de “Detetives da História”. Embora o Visconde de Souto tenha importado os dois primeiros elefantes africanos da História do Brasil, e que comprovadamente doava ao Museu Nacional os animais que morriam, André atestou que o elefante taxidermizado que subsiste naquele museu não é proveniente da Chácara do Souto.

 Em princípio a equipe de televisão viria a Curitiba, e eu e Lúcia Helena seríamos entrevistados na minha residência. Porém depois, atendendo a uma melhor mobilidade da referida equipe, a entrevista foi transferida para a cidade de Paulínia, residência da minha prima e sua mãe Jacyra Souto Martini. Viajei a Paulínia, e no dia combinado chegou a enorme equipe do programa, composta de aproximadamente doze pessoas. Da equipe de Daniel Lion, Laura Hasse, Ramique Mello e Claudinha Lima, além dos entrevistadores acima mencionados fizeram parte os técnicos Joanna Mamede, Marília Nogueira, Lula Cerri, Alzira Pereira, Lucas Barrionovo, Ivanildo e muitos outros.

O 4º episódio da série, do qual participamos, teve sua estreia nacional no dia 26 de novembro de 2013. Em dezembro o episódio “O elefante sem identidade” será reapresentado no The History Channel na terça-feira 24.12.2013 às 23:00, e na quarta 25.12.2013 (Natal) às 15:00 e às 18:15. Quem quiser rever o episódio em 2014, poderá consultar a grade de programação de Detetives da História.

Quero agradecer, também em nome de Lúcia Helena, a toda a equipe do programa, não apenas pela oportunidade de falarmos sobre o visconde de Souto, trazendo-o de volta à luz, mas igualmente pela divulgação que fizeram do nosso futuro livro “Visconde de Souto – Ascensão e ‘Quebra’ no Rio de Janeiro Imperial”. Abraços nossos a todos aqueles maravilhosos profissionais.

(Francisco Souto Neto – Dezembro de 2013)

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ALGUMAS FOTOGRAFIAS DO DIA DA GRAVAÇÃO DO PROGRAMA EM PAULÍNIA, SP:

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FOTO 1, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Minha linda e adorada Tia Jacyra (irmã de meu pai) em sua residência em Paulínia, esperando para receber a equipe dos “Detetives da História”, do The History Channel.

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FOTO 2, ACIMA – Dia de gravação de “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Tia Jacyra com o neto Bruno Martini em sua residência em Paulínia, esperando para receber a equipe de “Detetives da História”, do The History Channel.

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FOTO 3, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Eu e minha prima Lúcia Helena Souto Martini aguardando a chegada da equipe de televisão.

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FOTO 4, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Chega a equipe de televisão, e começam os preparativos para gravar o programa. Acima, Lula Cerri, diretor de iluminação.

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FOTO 5, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Ao fundo, André Guerreiro Lopes  e Marília Nogueira (de costas), a produtora. À direita, Joana Mamede, a diretora.

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FOTO 6, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – À esquerda, a maquiadora Alzira Pereira. À direita, Marília Nogueira. Sobre a mesinha, vejo a foto da minha prima Tatiana Martini Santos Delmondi.

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FOTO 7, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Dois rapazes da equipe (Lula Cerri e Lucas Barrionovo) entrando e saindo com equipamentos.

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FOTO 8, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – A equipe movimentando-se na instalação dos aparelhos para a gravação.

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FOTO 9, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Rapazes da equipe (Ivanildo e Lucas Barrionovo) preparando-se para as filmagens.

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FOTO 10, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Ao fundo, a maquiadora Alzira Pereira  conversa com a diretora Joana Mamede, enquanto Lúcia Helena Souto Martini passa, ajudando nos preparativos para as filmagens.

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Detetives da História

FOTO 11, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Esta foto foi feita pelo meu primo Bruno Martini, enquanto André Guerreiro Lopes entrevistava Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini.

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FOTO 12, ACIMA – DIA DA GRAVAÇÃO  DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – A atriz Renata Imbriani, que não participou diretamente da filmagem em Paulínia, observa a movimentação dos colegas da equipe.

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FOTO 13, ACIMA – APÓS A GRAVAÇÃO DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Terminadas as gravações, Renata Imbriani e André Guerreiro Lopes  (que são os Detetives da História, do The History Channel) fotografam-se com minha tia Jacyra e comigo.

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FOTO 14, ACIMA – APÓS A GRAVAÇÃO DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Meu primo Bruno Martini entre os “Detetives da História” André Guerreiro Lopes e Renata Imbriani. À direita, sentada, Jacyra Souto Martini observa.

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FOTO 15, ACIMA – APÓS A GRAVAÇÃO DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – O veículo que levará a equipe de volta ao Aeroporto de Viracopos, em Campinas.

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FOTO 16, ACIMA – APÓS A GRAVAÇÃO DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – O veículo parte, levando a maravilhosa equipe de Detetives da História. Da janela, André Guerreiro Lopes acena, despedindo-se de todos nós.

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FOTO 17, ACIMA – APÓS A GRAVAÇÃO DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SPLúcia Helena Souto Martini fotografada pelo primo Francisco Souto Neto no dia memorável da gravação de “Detetives da História”.

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FOTO 18, ACIMA – APÓS A GRAVAÇÃO DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SP – Depois que os Detetives da História viajam, vamos “raspar” as delícias que Lúcia Helena e Tia Jacyra serviram à equipe.

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FOTO 19, ACIMA – APÓS A GRAVAÇÃO DE “DETETIVES DA HISTÓRIA” EM PAULÍNIA, SPO papagaio Nicolau retorna ao seu lugar, e fica cantando enquanto Lúcia Helena cuida dele. No dia seguinte, retornei a Curitiba.

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FOTO 20, ACIMA – Abertura de Detetives da História, no The History Channel. A estreia nacional do programa ocorreu no dia 23 de novembro de 2013. As fotos daqui em diante foram tiradas por Francisco Souto Neto da tela do seu televisor, enquanto o programa transcorria.

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FOTO 21, ACIMA – Apresentadores da programa (os Detetives da História), os ótimos André Guerreiro Lopes e Renata Imbriani.

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FOTO 22, ACIMA – Cena de André no Museu Nacional, pesquisando a origem do elefante taxidermizado.

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FOTO 23, ACIMA – André começa a falar sobre o português Visconde de Souto, o primeiro banqueiro particular do Brasil, e o programa exibe fotos daquele que criou a primeira “coleção de animais vivos” do país. Era por volta de 1850, e pela primeira vez os fluminenses (e brasileiros) veriam um urso de verdade, um elefante, um leão e outros animais exóticos.

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FOTO 24, ACIMA – O programa mostra vários animais importados pelo Visconde de Souto que, quando morriam, eram taxidermizados e doados ao Museu Nacional. Não há, todavia, registro do elefante, porque o documento de doação se perdeu nos primeiros anos do século XX.

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FOTO 25, ACIMA – A “ménagerie” ou coleção de animais vivos foi instalada na Chácara do Souto. O Visconde abria seu zoológico aos domingos, gratuitamente, que era uma das principais atrações da capital imperial do Rio de Janeiro.

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FOTO 26, ACIMA – Enquanto André fala sobre o banqueiro, o programa vai exibindo fotografias de telas do Visconde de Souto.

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FOTO 27, ACIMA – André Guerreiro Lopes chega a Paulínia, residência de Lúcia Helena, onde foi gravada a nossa entrevista.

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FOTO 28, ACIMA – Francisco Souto Neto e Lúcia Helena Souto Martini cumprimentando André Guerreiro Lopes.

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FOTO 29, ACIMA – Durante a entrevista.

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FOTO 30, ACIMA – Cenas de André lendo o que dizem os livros a respeito das doações que o Visconde de Souto fez ao Museu Nacional.

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FOTO 31, ACIMA – Entremeando as palavras de André, são exibidas fotos de quadros a óleo do Visconde de Souto e Viscondessa de Souto.

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FOTO 32, ACIMA – André continua lendo sobre o Visconde de Souto.

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FOTO 33, ACIMA – Prossegue a entrevista.

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FOTO 34, ACIMA – Enquanto transcorre a entrevista, é mostrada a capa do livro original (ainda inédito) da biografia do Visconde de Souto, que se chamará “Visconde de Souto – Ascensão e ‘Quebra’ no Rio de Janeiro Imperial”, obra que no corrente dezembro de 2013 se encontra com o produtor cultural Sr. Ricardo Trento, diretor da Unicultura – Universidade Livre da Cultura, para enquadramento à Lei Rouanet.

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FOTO 35, ACIMA – Fim do programa.

FIM

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Finalmente será construído o metrô de Curitiba

Crônicas de Francisco Souto Neto para o Jornal Centro Cívico

Jornal Centro Cívico – Ano 11 – Edição 110 – Novembro de 2013.

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Finalmente será construído o metrô de Curitiba

Francisco Souto Neto

Não há metrópole desenvolvida sem que nela funcione um metrô. As capitais do mundo acordaram cedo para essa realidade: Londres inaugurou seu sistema de trens metropolitanos em 1863, Budapeste em 1896, Paris em 1900, Nova York em 1904 e a vizinha Buenos Aires em 1913. No Brasil houve um retrocesso: embora o presidente Juscelino Kubitschek tenha acertado ao abrir rodovias para a integração do país e ao implantar a indústria automobilística na segunda metade dos anos 50, errou grosseiramente ao desprezar a manutenção e a ampliação do transporte municipal e intermunicipal sobre trilhos, cuja falha foi seguida pelos sucessivos moradores do Palácio da Alvorada.  

O transporte público urbano sobre trilhos é infinitamente mais confortável, eficiente e rápido do que os ônibus. Em Curitiba, o metrô vem sendo prometido desde o prefeito Lerner, mas tanto ele quanto os seus vários sucessores usaram tal projeto apenas com fins eleitoreiros. O atual Gustavo Fruet será lembrado como o prefeito que cumpriu a promessa de campanha, ao contrário dos seus antecessores. Se o leitor quiser conhecer outros detalhes sobre aqueles faltosos prefeitos e as suas balelas eleitoreiras a respeito do metrô, sugiro que coloquem no Google as palavras: “Os candidatos à prefeitura e a questão do metrô” (é necessário colocar a frase entre aspas, e sem desprezar os acentos gráficos) e assim encontrarão minha crônica sobre o assunto, publicada em setembro de 2008 neste mesmo jornal. É bom lembrar que Jaime Lerner prometeu a construção do que chamou de “bonde moderno”, cujas linhas seriam subterrâneas entre o Passeio Público a antiga estação ferroviária, onde está hoje o Shopping Estação. Segundo Lerner, o “bonde moderno” funcionaria como um pré-metrô. Nos últimos anos, contraditório, Lerner mostra-se estranhamente contrário ao projeto do metrô, e declarou taxativamente à Gazeta do Povo: “O metrô de Curitiba não será construído”. A verdade é que agora Lerner teme que sua criação, a das canaletas para ônibus urbanos, perca importância face ao sistema muito mais eficiente que é o metrô. Para quem estiver interessado, essas considerações, ampliadas, poderão ser encontradas em outra crônica que publiquei em 2009, bastando buscar no Google “Metrô de Curitiba: Richa versus Lerner” (a frase deverá ser colocada entre aspas) cujo texto repercutiu no respeitado portal norte-americano “Publictransit.com”, especializado em transporte público no planeta, o qual verteu o texto para o Inglês e analisou-o sob o título Columnist Francisco Souto Neto attributes Lerner’s opposition to political rivalries”.

Dilma Rousseff veio a Curitiba em 29 de outubro para anunciar investimentos de R$ 5,3 bilhões destinados ao transporte coletivo da capital, com ênfase na primeira linha de metrô. Segundo a prefeitura, em um primeiro momento, o metrô de Curitiba será implantado no trecho entre os bairros CIC e Cabral, atendendo ao eixo norte-sul da cidade. Estão previstas 14 estações nessa fase, que já tem a garantia de investimento de R$ 4,56 bilhões, sendo R$ 1,8 bilhão a fundo perdido do Orçamento Geral da União, R$ 700 milhões do Governo do Estado, R$ 700 milhões da Prefeitura Municipal de Curitiba e R$ 1,36 bilhão da iniciativa privada, valor a ser pago pelo vencedor da licitação da Parceria Público-Privada. Em seu discurso, a presidenta enalteceu a agilidade de Gustavo Fruet e equipe ao apresentarem, em poucos meses, o projeto do metrô com o objetivo de receber os recursos do Plano Nacional de Mobilidade. Disse ela: “O prefeito fez um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para elaborar o projeto. Isso significa que o prefeito estava adiantado, que o prefeito tinha elementos, que a obra não só é factível, como vai começar”.

A primeira fase entre a Cidade Industrial e o Cabral estará concluída em 2019. A segunda fase estenderá a linha até Santa Cândida. A estação Alto da Glória terá a imensurável importância de estar muito próxima aos edifícios públicos do Centro Cívico, que são o Tribunal de Justiça, Palácios Iguaçu e das Araucárias, Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas e Prefeitura, facilitando a locomoção de milhares de funcionários e de cidadãos que acorrem a esses locais. Meus parabéns ao prefeito Gustavo Fruet por sua determinação em dar o primeiro passo para a concretização do tão necessário e esperado metrô de Curitiba. A História saberá reverenciá-lo.

Francisco Souto Neto – Novembro de 2013.

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O choque com a ditadura e um pouco de uma história pessoal

Crônicas de Francisco Souto Neto para o Jornal Centro Cívico

Jornal Centro Cívico – Ano 11 – Edição 109 – Outubro de 2013

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O choque com a ditadura e um pouco de uma história pessoal

Francisco Souto Neto

Nos Anos de Chumbo (governo Garrastazu Médici) eu há muito tempo trabalhava como escriturário no Banco do Estado do Paraná em Ponta Grossa, sem perspectivas para um cargo comissionado. Desde a morte de meu pai em 1963, eu e minha mãe levávamos uma vida modesta, mas trazíamos importantes amizades dos tempos anteriores. Um desses amigos era João Vargas de Oliveira, que tinha conhecimento de que aquela agência do banco não oferecia possibilidade de ascensão profissional. Ele então comentou com minha mãe que era amigo do presidente daquela instituição, Celso da Costa Sabóia, por isso sabia que o banco tinha vagos alguns cargos em comissão no interior do Paraná. Pouco tempo depois, chamaram-me à presidência do Banestado. Viajei à capital. Entrando no imenso gabinete do presidente senti-me um tanto intimidado ao atravessar uns doze metros do salão acarpetado, até chegar à escrivaninha de Celso Sabóia, que me esperava sem levantar os olhos do papel onde escrevia algo. Mandou-me sentar, dizendo-me que estava atendendo a uma indicação de João Vargas. Entrevistou-me e, aparentemente satisfeito, encaminhou-me a certo departamento, onde fui submetido a uma prova escrita. No mesmo dia informaram-me que eu poderia assumir um cargo de tesoureiro na agência de Toledo. Viajei àquela remota cidade para conhecer a agência e procurar casa para locar. Após a cansativa viagem noturna de ônibus, cheguei sob muita chuva à entrada da cidade. As estradas ainda não eram asfaltadas, e para alcançar o núcleo urbano de Toledo, havia uma ladeira, onde o ônibus derrapou até encalhar. Passageiros desceram na lama para empurrar o veículo. Foi horrível, porém só saímos dali arrastados por um trator. Não gostei da cidade, nem da agência, e retornei decepcionado. Telefonei ao Sr. Sabóia justificando-me e agradecendo, mas faltou-me coragem de contar a minha recusa ao atencioso e paternal Dr. João.

Permaneci durante mais uns dois anos na agência de Ponta Grossa, enquanto me preparava para três concursos: do Badep, do Instituto Rio Branco no Rio de Janeiro, e também do próprio Banestado, para auditor ou inspetor. Foi marcada a primeira etapa do concurso para o Badep em Curitiba. Na prova oral, o examinador fez-me perguntas das áreas do conhecimento e da cultura, e de técnicas bancárias. Eu me saía muito bem nas respostas. De repente o examinador baixou a voz e me perguntou compassadamente: “O que você pensa sobre pessoas desaparecidas e mortas pelo nosso regime político?”. Levei um choque! Eu sabia da repressão, da censura a jornais, a cantores, escritores e artistas plásticos. Sabia das prisões daqueles que ousavam criticar o governo, mas não de pessoas desaparecidas ou mortas pela ditadura. Procurei mostrar segurança, respondendo mais ou menos: “O estado de direito e o respeito à liberdade de pensamento devem prevalecer sobre qualquer regime político”. Porém acrescentei, titubeante e inseguro: “Não temos provas de que pessoas estejam desaparecidas, mortas… Ou… será?!”. O examinador nada respondeu. Voltei para Ponta Grossa certo de que seria reprovado no exame oral, mas foi a partir dali que abri os meus olhos para a realidade brasileira. Comecei a conversar com amigos e pessoas mais velhas, que sempre olhavam para os lados antes de responder, e diziam em voz baixa que sim, que havia tortura e morte a muitos dos que discordavam do status quo, e que alguns cidadãos “desapareciam”. Compreendi que as ditaduras eram mais imorais do que eu supunha, e essa indignação trago até hoje. Por isto, em pleno ano de 2013, sinto-me pasmo ao constatar que ainda há quem sinta saudade da ditadura.  Note-se que eu respeito tanto os militares, quanto os não militares e os representantes de quaisquer outras profissões. Porém… ditadura militar eu repudio, por motivos óbvios.

Voltando à minha história pessoal, surpreendi-me ao saber que fui aprovado na primeira etapa do concurso para o Badep. Houve então uma incrível coincidência: os concursos para a segunda etapa do Badep, para o Itamaraty e para inspetor do Banestado, foram todos marcados para o mesmo dia. Tive que optar, e assim escolhi prestar o concurso para inspetor do Banestado. Dentre centenas de candidatos, fiquei entre os primeiros classificados. Meses após, veio o convite de Paulo Schultz Filho para assessorá-lo na Direção Geral, e depois passei a assessor da diretoria, da vice-presidência e da presidência. Criei e consolidei o Programa de Cultura do Banestado até aposentar-me em 1991.

(Francisco Souto Neto – Outubro de 2013)

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 Na mesma edição, publicou-se na página 4:

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Postes irregulares nos jardins do Centro Cívico 

Os jardins do Centro Cívico, originalmente projetados por Burle Marx, têm o privilégio de ostentar os belíssimos “postes republicanos” para a sua iluminação. Esses postes recebem fiação elétrica subterrânea, para que fios aéreos não existam onde estejam os mesmos instalados.

Entretanto, postes grosseiros e antiestéticos sempre foram colocados provisoriamente entre os “postes republicanos” da Praça Nossa Senhora da Salete, às vésperas de ocasiões especiais, tais como carnaval e outras festas populares. Contudo, imediatamente após os eventos eram retirados e permaneciam somente os postes republicanos plantados nos seus lugares, tal como deve ser.

Durante o ano em curso, porém, os postes irregulares não foram mais retirados, alguns até com transformadores, e lá permanecem poluindo visualmente o Centro Cívico não apenas com a sua presença, mas também com a pesada fiação elétrica que não poderia existir ali. As fotografias que ilustram este texto, são do dia 5 de outubro de 2013.

Não espero justificativa da Prefeitura para o que é injustificável. O que espero, como cidadão, é que sejam esses horríveis postes imediatamente retirados, de preferência para sempre, com um pedido de desculpas da Prefeitura à comunidade, face ao flagrante desleixo.

Reclamação do leitor Francisco Souto Neto – morador do Centro Cívico

Resposta Copel

Em relação à preocupação do nosso leitor, a redação do jornal conversou com a assessoria de imprensa da Copel, a qual informou que a instalação não é irregular. A rede foi instalada temporariamente para eventos recentes no Centro Cívico e está prevista para ser retirada ainda em outubro.

Resposta da Prefeitura

A Prefeitura de Curitiba foi procurada para comentar. Mas não respondeu até o fechamento desta edição.

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AS FOTOGRAFIAS DE FRANCISCO SOUTO NETO:

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